Existe uma maneira certa de se fazer software?

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Spoiler: Sim, e é não fazendo software!

Você pode estar se perguntando: porque uma pessoa que trabalha desenvolvendo software está sugerindo não criar software? Ainda mais no seu primeiro post do blog!

Meu objetivo é te fazer considerar outras opções mais viáveis para validar a sua idéia, para só então, com uma base sólida de clientes, pensar em manter a evolução de uma solução.

Vamos então entender quais são os problemas mais comuns ao se criar um software.

Custo

Software custa caro. Manter uma equipe, ou mesmo uma pessoa, trabalhando nele é um tremendo risco financeiro, se você não sabe exatamente o que está fazendo e, principalmente, o porquê de estar fazendo.

Imagine-se na seguinte situação

Após uma longa jornada de pesquisa, uma série de entrevistas com usuários para enfim levantar uma bateria de requisitos, você idealiza a solução perfeita, e está confiante de que, uma vez lançado, esse produto fará um tremendo sucesso no mercado.

No meio do processo de desenvolvimento, você percebe que o cenário mudou, e - embora a sua solução esteja em conformidade com o que foi planejado - ela atende parcialmente a necessidade do usuário nesse novo cenário. Ao procurar uma causa raiz para esse problema, você percebe que poderia ter gastando menos tempo idealizando com base em suposições, e mais tempo validando e coletando dados para ter tomado decisões mais assertivas.

Agora com um budget limitado você não consegue pivotar a idéia inicial, e acaba por fracassar. Nadou, nadou e morreu na praia.

Esse é um dos problemas mais comuns nesse ramo, e que fazem startups fracassarem freqüentemente.

O MVP está morto. Vida longa ao RAT

Qualidade Interna

Já cansei de ver projetos de MVP falharem por não terem dado a mínima atenção nesse quesito tão essencial no processo de desenvolvimento de um software. Uma vez validada a idéia no MVP, morrem, porque os custos para evoluir a solução ficam impeditivos.

A "Cultura Ágil" em voga, e mais ainda, a fama do "MVP", criou um estigma que não devemos nos preocupar com qualidade, mas entregar a todo e qualquer custo, para gerar novos ciclos de desenvolvimento o mais rápido possível pelo menor custo. Isso é um EQUÍVOCO TREMENDO (entenda porque), você pode chegar em um market fit de outras formas.

A única maneira viável de se criar software é partir de um marco 0, evoluir, de forma incremental até a solução almejada, mantendo um mínimo de qualidade enquanto gera valor num ciclo de retroalimentação. Mais valor implica em mais ganhos que implicam em mais evoluções que geram mais valor.

Conclusão

Cartela de Bingo

Uma vez que assumimos que todo software deve ser EVOLUÍDO e NÃO FINALIZADO, descobrimos que desenvolver software para validar idéias é a pior alternativa de várias outras que você pode ter.

Quando for criar um novo software, primeiro tente com todas as suas forças não criá-lo. Como? Não sou especialista, mas aqui vão algumas sugestões:

  1. Técnicas de marketing digital para geração e alimentação de leads
  2. Apresentar sua idéia em um Website / Blog
  3. Garantir investimentos com um pitch de sucesso
  4. Engajar pessoas e colaboradores com a sua idéia
  5. Nutrir uma comunidade em volta do seu produto
  6. Usar software já existente com a sua marca
  7. Prototipar e testar com potenciais usuários
  8. Consultoria, suporte e pré-venda

E só então, quando não houverem mais saídas e um mínimo de receita recorrente, comece de maneira sustentável. Tomando as partes que mais geram valor, para chegar pouco a pouco no objetivo final, sempre tomando como base o feedback do usuário.

E qual a sua opinião? Me fala ai, quero saber! Me escreve no Twitter